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dezembro 18, 2006

Destino

Deixa, então, o teu destino
Com o meu destino a seu lado
Juntar num único caminho
A amada e o amado.

Tivéssemos nós vinte anos
No auge da juventude,
Teria sido diferente?
Terias outra atitude?
Viverias só para mim
Completa e apaixonada,
Ou dessa vida conjunta
Já estarias cansada?
Quererias ficar comigo?
Ou estarias como agora,
Apaixonada por outro
Com vontade de ir embora?
Seria eu teu amor
A razão para viveres?
Seria eu o calor
P’ra no frio te aqueceres?
Seria o teu Sol, teu mundo,
A tua noite ou manhã?
O teu sonho mais profundo?
Ou vida oca, vazia e vã?
Seria o amanhecer
Em quente cama de linho,
Ou insónico adormecer,
Pedregulho no caminho?
Seriam as tuas filhas
Testemunhas do amor,
Ou algemas que te prendem,
Grilhetas do teu senhor?
Haveria alegria
Em cada dia que passa,
Vida cheia de harmonia,
Ou promessas de desgraça?
Cada vez que os teus olhos
Nos meus olhos se encontrassem,
Brilhariam de contentes
Ou em lágrimas se lavassem?

Se soubesses o teu destino
Nada mais te importaria,
Nem a noite nem o dia,
Nem tristeza ou alegria.
Sei que em parte não sabida,
Algures nesse caminho,
O teu destino e o meu
Quiseram fazer um ninho,
Mas ou porque assim queria
Ou porque nós o quisemos
Nem o ninho se teceu
Nem esse ninho tivemos.
Foi cruel nosso destino?
Foi má a nossa fortuna?
Será que é nossa sina
Que este amor nunca se una?

Não creio que assim seja.
Tal não pode suceder.
Não posso ter-te encontrado
P’ra te voltar a perder.
Há-de haver uma razão
Para estes anos volvidos,
Nós os dois apaixonados
Voltarmos a estar unidos.
Não sei se isso é destino,
Ou assim quer nossa sorte,
Que apenas fiquemos juntos
Um dia para além da morte.
Tudo eu hei-de fazer
Para que tal não aconteça,
Mesmo que nisso me perca,
Mesmo que nisso esmoreça.
Peço-te a mesma vontade
De vencer tal desafio.
E, quem sabe, consigamos
Aquilo que hoje porfio.



Christian de La Sallette

Publicado por Poeta das 5 às dezembro 18, 2006 11:42 PM

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